segunda-feira, abril 06, 2015

Impressão Digital



 
( 50cm x 40cm )



 Nunca observaste a cor, nem os gemidos das minhas lágrimas que escorrem na escuridão da minha alma.
Nunca entendeste este enorme silêncio da minha sombra.
Eu habito um corpo angustiado, metade abaixo da terra, metade para lá da cortina do céu. E é este véu azul que eu sulco, como quem rasga o peito, como quem procura terra fértil para semear a minha essência…
E as maçãs, na sua insanidade, voam deixando um aroma de liberdade…

As Sandálias do Pintor

( 50cm x 40 cm )

As Sandálias do Pintor
Insónia. Maldita insónia. Sinto-me irrequieto no leito. Os meus ossos atormentam-me. No meu peito, reina o desvairo. Olho para as estrelas que brilham no teto. Vislumbro uma brecha no xadrez da vida. É o pincel que me prende à vida, para lá do infinito da realidade. Vou ao encontro das maçãs voantes. São as sandálias do pinto

quinta-feira, junho 19, 2014

A Paixão


(50cm X 40cm) 
Pai, porque sinto que sobre mim se abate a escuridão, se estou rodeado de maçãs voantes, se da minha coroa de espinhos se soltam lápis de carvão que contornam a minha dor? Da minha boca regurgitam tubos de tinta, que alimentam esta terra árida,
onde germinam pincéis que enchem o mar de sonhos… Pai, por que me dás a escuridão

MELÍFLUO


(70cm X 50cm)

Hoje, o desbotado está com cor, o tic tac do relógio tem aroma, o ar que respiro tem paladar….
Xiuuuu! não digam nada, não façam barulho, não incomodem o meu destino, ele está muito meigo e simpático comigo. Não pára de me oferecer guloseimas. Os sonhos agradecem, deliciam-se, esvoaçam alegremente…
Mas, eu sinto receio de tanta doçura. Penso, para comigo: será que chegou a hora de a noite vir me buscar? O melhor é pegar no pensamento e enclausurá-lo num sítio onde não possa barafustar…
Xiuuuu!! desliguem os telemóveis, fechem as portas.
Não estou para ninguém.
Hoje não incomodem o meu destino…

sexta-feira, outubro 18, 2013

A Maçã que Comeu o Homem…

(30cm X 30cm)

quinta-feira, setembro 12, 2013

Persuadida da Razão

(70cm X 50cm)
 Acordo com a minha alma seca tão seca que penso que ela morreu. Com saudade, relembro-me dos teus lábios dourados, do teu corpo encostado ao meu, da companheira afável, que tu és… e, neste meu quarto repleto de espelhos, pego num cigarro e fico à conversa com eles. Pergunto: que pó branco andei a ingerir que em vez de me levar ao jardim do éden, me largou num túnel escuro sem saída. Indago os espelhos onde foi que errei. Não me respondem. E tu, persuadida de razão, carregas o dedo que aponta em todas as direcções…

segunda-feira, agosto 26, 2013

Livro

terça-feira, julho 16, 2013

Atena

(70cm X 50cm)

Com impetuosidade e repreensão, soltas a boca no céu, em minha direção… (Merecido, sem dúvida). A Medusa soltou os seus cabelos, em forma de serpente, e tentou petrificar-me. Hoje, o dia está com sensibilidade da noite. O amparo do meu equilíbrio quebrou-se (irreparavelmente). Debaixo dos meus pés cruzam-se linhas desérticas… a minha boca está seca… o sangue, que circula nas minhas veias, caminha em episódios tristes. Os meus sonhos estão encarcerados. (Continuarão eles assim?). Os verdes da minha paleta esvaíram-se. O dia, hoje, está com sensibilidade da noite… Tomara ter a coragem de Perseu...

Fénix

(70cm X 50cm)

Fiz uma viagem já passada pelo calendário. Parei onde marcava. 21:11 Visionei aquela luz que, na altura, iluminou a minha essência. O teu rosto colado ao meu. O alfinete que me ofereceste quando a terra se rompia debaixo dos meus pés. As maçãs voadoras que esvoaçavam em regozijo … Hoje, o tubo de tinta do destino continua a colorir as minhas utopias, mas tu estás longe de mim e contigo tens o açúcar que corria nas minhas veias… Ao peixe pássaro que tudo vê por baixo do mar e acima da terra pergunto por ti: ONDE ESTÁS? Não recebo resposta. Porém enquanto o alfinete segurar o rasgo da terra e continuar o germinar dos meus pincéis, eu acredito que estarei contigo algures, hoje ou amanhã….

ClerigusChristus

( 90cm x 70cm )


Porto… cidade monumental. Construída pelo suor de muito sangue e cicatriz na pele de homens audaciosos. Derrotas te as maquinas do tempo Do alto da torre, imponente, recebe quem visita de braços abertos enquanto os seus habitantes estendem a mão tentando agarrar os sonhos...

Aniversário do Notícias de Vizela

(50cm X 40cm)

Feito propositadamente para a capa do suplemento comemorativo do 66.º aniversário do Notícias de Vizela

domingo, abril 14, 2013

Efeito Borboleta


(70cm X 50cm)
A solidão murmurou-me ao ouvido. Não entendi o quis dizer… Sei que sinto um rebuliço nas veias. Sofro. O meu corpo estilhaça-se…Sinto-me ingerido pelo tempo. Sozinho. Os meus sonhos encontram-se encarcerados. As bactérias etéreas vigiam-me, determinadas a censurar.

Será que ainda me resta uma pequena esperança de não cair na escuridão…

quarta-feira, abril 03, 2013

Earth and Heaven

(80cm x 60cm)
Se a terra foge dos teus pés segura o céu pois é lá que voam os teus sonhos…

terça-feira, janeiro 08, 2013

Alucinação

(80cm x 60cm)

Acabei de fumar mais um cigarro. Não sei se estou acordado se estou a dormir. O lápis que traça o meu destino encontra-se encostado ao espelho do Olimpo. Como abutres sobrevoando um corpo em fragmentação, surgem esvoaçando bocas.
Bocas que soltam gritos pré-históricos.
Bocas com línguas de fogo.
Bocas que deixam escapar saliva de inveja.
Bocas que falam por falar.
Bocas que sopram hálito de esperança.
E, para além do espelho, o futuro solta gotas que se afiguram lágrimas de crianças. Acabei de fumar mais um cigarro. Não sei se estou a dormir se estou acordado…



quinta-feira, dezembro 13, 2012

14 de Janeiro

(80cm x 60cm)

14 de Janeiro todo o santo dia bateram à porta. não abri, não me apetece ver pessoas, ninguém. escrevi muito, de tarde e pela noite dentro.
curiosamente, hoje, ouve-se o mar como se estivesse dentro de casa. o vento deve estar de feição. a ressonância das vagas contra os rochedos sobressalta-me. DESCONFIO QUE SE DISSER MAR EM VOZ ALTA, O MAR ENTRA PELA JANELA. sou um homem privilegiado, ouço o mar ao entardecer. que mais posso desejar? e no entanto, não estou alegre nem apaixonado. nem me parece que esteja feliz. escrevo com um único fim: salvar o dia.

( Al Berto )

sexta-feira, novembro 23, 2012

47 Degraus

70cm x50cm

Sob proteção paterna, inicio o meu percurso de vida como uma criança frágil e cândida, porém com o semblante de um fantasma birrento. O mesmo chão que consente o pranto dos petizes, presenteia o cavalo para as suas cavalgadas terrenas. O tempo passa... a escada da aprendizagem vai sendo montada. Subo, penosamente, degrau a degrau, procurando alcançar as maçãs que esvoaçam ao meu lado.

sábado, novembro 03, 2012

Estendal do Tempo

(70cm X 50cm)

Chegou o outono. As andorinhas já abalaram. Uma tristeza colou-se nesta página do tempo, já desgastada pela celeridade dos dias.
Estou preso neste estendal que desaproveitou a sombra. Sinto-me só. Um pesar percorre a minha essência oca que se liquefaz. Escuto o murmúrio húmido do mar. Todavia, a ténue luminosidade adocicada da recordação ainda acalenta as molas que me seguram neste lugar…

quinta-feira, outubro 25, 2012

Entre o Mar e o Sonho

( 90cm x 70cm )

Nesta vida terrena, repleta de calhaus, acondiciono, no lado esquerdo da memória, o pergaminho dos meus primeiros traços executados por um lápis debutante. Prezo o jorrar das águas do obscuro. E nos segundos em que esqueço que sou efémero, um tubo de tinta solta os pigmentos que aquecem o meu corpo. Abro fendas nos sonhos e envio os pincéis ao encontro das maçãs voadoras. E neste silêncio de cores prostradas na tela, revelo ao Mar toda a espuma que me veda os olhos….

sábado, outubro 13, 2012

O FAUNO

( 50cm x 40cm )


Avançaram, para a minha paleta, as palavras de Aquilino Ribeiro. Misturei-as e apliquei-as na tela criando uma história.
O Fauno dança na minha imaginação. O eterno amante das maçãs voadoras, deambula, errante pela vida, conquistando as ninfas. Flautista singular, toca-lhes uma melodia lasciva, que as faz vibrar de excitação. Persegue-as sem temor, sedento de as tatear. Prossegue o seu destino...
E a próxima página espreita o presente.

terça-feira, outubro 09, 2012

Baile das Maçãs Voadoras



                         ( 90cm x 70cm )

Hoje, o Mar que corre nas minhas veias está à bolina do surreal. Parei o tempo. Os pássaros repousam nas árvores. O aquário não tem peixes.
As crianças arrumaram os jogos.
Encostei os pincéis e deixei meu corpo deslizar pela paleta de cores. Fiquei imóvel.
A janela do sonho invadiu o silêncio. Petrificado, assisto ao baile das maçãs voadoras. O alfinete detém as cortinas do palco da utopia de um golpe atro...
As nuvens, na sua andança, resgatam a minha realidade.

sexta-feira, setembro 21, 2012

Virar as Costas ao Tempo

( 90cm X 70cm )

As raízes amparam o templo do destino.
Abro a janela e avisto um céu translúcido que me fulmina a mente. Sinto um mar de luas cintilantes que pupilam dentro do meu corpo. No meu coração flutuam barcos que fervilham de ideias. A imagem dos teus lábios soldados aos meus continua viva dentro de mim.
O tapete do xadrez da vida estende-se à tua passagem conduzindo o teu caminho. Transpões a cortina, virando as costas ao relógio.





sábado, setembro 08, 2012

Cupido


                                                                ( 50cm X 50cm )
Caminhando numa paisagem lunática, de areal amargo, ouvindo os gritos das nuvens soltados pelas chaminés do céu, calculei os meus passos matematicamente. As mãos estremeciam de medo, o peito doía-me…
Abri a janela de Marte, levantei a cabeça e deixei que a voz das minhas letras fosse ao encontro das tuas. Golpeei a minha essência exterior com um punhal de cupido. Tu entraste na minha vida e preencheste este meu vazio…

terça-feira, junho 05, 2012

Auto-Retrato II

( 90cm x 60cm )

Esta vida terrena asfixia-me.
A minha mente transporta-me para outro lugar, para lá da ilha do pensamento, onde a criação se encontra com a liberdade, na ilha do Éden.
Do azul encamisado do céu solta-se um balão de ar quente que contém os pincéis, triviais ferramentas, que delineiam o meu devaneio. Na companhia das nuvens, as maçãs sacodem as suas asas, agitando toda esta loucura. Procuro a perfeição escutando as harmonias dos planetas.
Enquanto minha alma não repousa, vou colorindo as horas em que esqueço que sou Mortal…

sexta-feira, maio 18, 2012

Caçadora de sonhos


80cm x 60cm

A escuridão convida ao repouso no leito da fantasia. Lanças os dados para um sonho.
Por entre o soalho solta-se a melodia de um piano que nos embala o berço. Um azul anestésico desce pela parede deste quarto mágico, que fortalece a essência do desejo. Desprendes-te da moldura que a vida nos fixa, fazes mira a um alvo e disparas.
Com dedos assentes no chão, a mão tenta deitar as suas garras à surrealidade…

terça-feira, abril 24, 2012

A mão galinha

( 80cm x 60cm )

O céu, que adeja sobre o leito, vai dissipando as estrelas, que, por cima das nuvens, envolvem o castelo da princesa. Em estado letárgico, acolho o sonho de um mundo quimérico.

Sinto o manto que me cobre. Acordo. Abro o olhos e examino os contornos da minha vida. O céu soltou as penas. A mão galinha, que conserva a sua crista resplandecente, sorri para as maçãs volantes e enceta um diálogo ininterrupto com o sonho…
Mão Galinha guardiã dos sonhos...


(Dedicado a Maria de Gala)

segunda-feira, abril 16, 2012

|A|garra

( 80 X 60 )


Às minhas veias pergunto o porquê de toda essa agitação que sinto dentro delas. O céu está calmo. Traja de um tecido azul claro, estampado de nuvens que parecem dançar a dança do ventre para o sultão.Mas, impensamental, do imo das entranhas, sai uma mão que, com as suas garras, tenta apanhar a maçã. Fá-lo tão naturalmente, tal como a gaivota joga com o vento quando este sopra no mar.E, no horizonte, estendido sobre a toalha de areia, o xadrez da vida testemunha toda aquela candura, repleto de conselhos e deveres.

terça-feira, março 27, 2012

Exposição Sob a Pele da Maçã



Sob a pele da maçã existem asas que ousam voar...
Sob a pele da maçã há um barco de sonhos...
Sob a pele da maçã há o prazer de degustar o sabor das letras e das cores...
Sob a pele da maçã há um coração que palpita nas suas utopias...
Sob a pele da maçã... o xadrez da vida.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Anemómetro


(120cm x 100cm)

A senda pela busca da inspiração incitou-me a zarpar, há alguns anos, por mares navegados por outros, numa rota incerta, traçada por mim. Navegar junto à costa trazia muitas insónias, pelo que me aventurei em alto mar. O meu barco foi fustigado por tempestades algumas vezes, andou à deriva outras, quase naufragava em oceanos de eterna agitação de águas, escarpeladas e agitadas por tufões, correntes e vendavais. Enfrentando um mar em fúria, fui velejando à bolina, traçando a minha carta marítima. Mantive sempre os mastros erguidos, hasteando a minha insígnia. Escuto o murmúrio das pedras que me chamam… Está na hora de atracar. À entrada na barra, muito suave, estendem-me o tapete do xadrez da vida. Esvoaçando sobre o navio, o grasnar apoteótico das maçãs acompanha a minha escala. No cais, atento à direção do vento, vislumbro o anemómetro, que me guia e indica onde aportar.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Estro

(80cm x 60cm)


Surgiste um dia. Apareceste do nada, de início um vulto que aos poucos que foi materializando. Irradias uma luz que faz brotar os pincéis no jardim de areia. Dás à maçã a sombra que ela procura no mar dos sonhos. Soltas o lençol que te encobre, cedendo o lugar ao estro das cores e das formas, que se criam em mim.
“Quem és tu?”, pergunto.
“Ninguém”, murmuras.

domingo, outubro 30, 2011

3º Toque

(80cm x 60 cm)

A ocasião assim o exigia. Mirando de alto a baixo, o espelho reflete uma paleta engalanada. Perscruta-se minuciosamente: os pigmentos estão secos, nó windsor na gravata... Um nervoso miudinho percorre-a. Aguarda uma chamada que abrirá o portão das jornadas a percorrer. Sabe que é um passo para o desconhecido. Ignora para onde a leva – talvez do nada para lugar algum. A luz azul que envolve o seu corpo é um enigma que sufoca. Olha para o telefone que continua mudo. Sente o sonho no leve esvoaçar das maçãs. Os pincéis germinam em solo fértil. Estremece... o telefone toca três vezes. Está na hora!!!

segunda-feira, agosto 22, 2011

[Polis]semia



De volta à Polis. À invicta. A Maçã convida para uma orgia de tintas e palavras. Observo. Sou um espectador. Da paleta escorregam cores irreais. O pincel conduz as minhas mãos que se entregam à tela. Calados, perplexos, hipnotizados, os meus olhos dançam acompanhando o ritmo atordoante. Será amor, ódio, raiva, alegria, tristeza, medo? Serão homens, mulheres crianças, astros, animais, cidades, natureza, vento, mar, sonhos? ...
Será real ou surreal? Mas, afinal, o que é real? E o surreal?

quarta-feira, julho 06, 2011

À Bolina (sur)Real

terça-feira, maio 24, 2011

Entre as Tintas e as Palavras



"Eu acho que se se é surrealista, não é porque se pinta uma ave, ou um porco de pernas para o ar. É-se surrealista porque se é surrealista!"

Mário Cesariny

terça-feira, maio 03, 2011

11/7


(120 cm x 100 cm)

Como um peregrino vacilante ou como um insecto ziguezagueante, sem percurso lógico, liberto sobre a tela o pincel que, impregnado de tintas aveludadíssimas, me conduz à criação da maçã. Não dou ao momento calmaria. Mando flutuar as cadeiras, penso nos elementos, paradigmas estéticos, que me rodeiam e que me levam ao xadrez. Todos dias por lá caminho. A rainha que me viu crescer, estende as suas raízes e ergue os seus braços à mitologia existencialista de slogans sagrados. Do rasgão, o Futuro espia o Presente…

segunda-feira, abril 04, 2011

Adão e Eva

(80cm x 60 cm)

A noite está a chegar tingida de um amarelo enigmático... O rosto lânguido de Adão é uma montanha que recebe todo o calor da planície curvilínea de Eva. A mesa do xadrez está posta. A Ampulheta, em queda, cronometra o tempo adormecido. Neste jardim, pleno de profanação de profecias, uma árvore estica o braço, oferecendo a Maçã. Alheio às dádivas do Éden, o barco dos sonhos continua a navegar na senda das estrelas...

domingo, março 13, 2011

Surrealidade

(80cm x 60 cm)

Ouço um rasgo no céu que ecoa no meu pensamento. "Quem está aí?", indago. Uma força empurra-me para fora de mim. De quem é este corpo que tenta libertar-se do caixilho onde o tentaram emoldurar? Sou eu? Belisco-me, sinto-me.
Avisto as linhas do xadrez que me indicam o caminho. O meu braço, longo e distendido, uma extensão de mim, tenta em esforço alcançar a maçã. Eu sei que ela será minha. Ela também o sabe. “Deixa-me surrealizar o sonho”, peço-lhe. “Surrealiza-me”, responde-me.


segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Aeternum

(80cm x 60 cm)

No imo do desassossego, tive um sonho.
Sonhei.
Sonhei que existe outro xadrez para além das nuvens,
para onde o relógio, carregando o tempo que falta, se mudou.
Sonhei.
Sonhei que estava nas escadas rolantes que se movem,
para cima,
para cima,
para cima,
céleres.
Sonhei.
Sonhei que ouvia anjos que cantavam um hino.
Sonhei.
Sonhei que tinha acordado.
Sonhei que era de novo criança.
Sonhei que me baloiçava para lá das nuvens.
Sonhei.
Sonhei que a vida é um sonho.
A realidade é o que está para além das nuvens.

domingo, fevereiro 13, 2011

À La Carte


(80 cm x 60 cm)

Condenada à morte! Ah, vil sentença pronunciada numa sala sombria! Desde então convivo com esse pensamento, paralisada pela sua presença, arqueada sob seu peso! Um calafrio percorreu a minha pele. Será agora? No céu batiam as últimas horas do dia.
Coragem diante da morte, dizem-me. Perguntemos-lhe o que ela é. Saibamos o que ela quer connosco, esmiucemo-la por todos os lados, perscrutemos o enigma e olhemo-la de frente.
De cima do palanque, exibem-me a uma multidão rejubilante, que incita e aplaude a condenação. Despem-me do meu pudor. Olho-os a todos de frente, aos que, depois de me terem saboreado, me condenam. Os algozes banqueteiam-se. Assistem de camarote ao espectáculo, empanturrando-se do xadrez da vida.
Mas, eu sei que há um Homem, um sonhador, absorvido em descobrir a essência em prol da arte, para quem a Maçã foi a fantasia que o aprisionou, e por quem ele se deixou aprisionar.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Surrealizar o Sonho



A Noite deixou cair a cortina. O sonho já dorme. Deitado na companhia de uns lençóis repletos de silêncio, as estrelas azuis fixam os seus olhos em mim. Falo com o Mundo, mas só ouço o bater do Mar no casco do meu Barco como um sussurro hipnotizante das Maçãs. Surrealiza-me o Sonho...

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Surrealizar o sonho

domingo, janeiro 16, 2011

Epílogo

(80 cm x 60 cm)

Ao bater da hora do silêncio, o jardim de cores de uma paleta chega, finalmente, ao seu epílogo.

Reclama por um pedaço de céu azul, tendo como testemunha um deslumbrante raio de sol. Em harmonia com as páginas do calendário de uma maçã sai triunfalmente de cena. Na sua magistral despedida derrama uns salpicos de tinta, em ebulição.

Junto ao xadrez, o espelho de água, indiferente, continua o seu compasso de dança.

terça-feira, janeiro 11, 2011

Estocada

(55cm x 65 cm)

Em plena arena, uma luz cita e abeira-se dos meus pensamentos cravando-lhes uns ferros curtos. A maçã, aturdida, atreve-se a fazer uma pega de caras. O touro encampana-se, levanta a cabeça e desafia a maçã. Atraído pelo fruto despedaça a capa de linho celeste dando-lhe uma estocada. Ferida de morte na lide, a maçã esvai-se em seiva que alimenta os meus pincéis.