Tudo começa com uma tela em branco... Vai-se dando cor, por vezes ao fundo, por vezes apenas alguns traços. Depois, bem depois... Um dia eu conto, afinal isto é só o primeiro traço...
Com impetuosidade e repreensão, soltas a boca no céu, em minha direção… (Merecido, sem dúvida). A Medusa soltou os seus cabelos, em forma de serpente, e tentou petrificar-me. Hoje, o dia está com sensibilidade da noite. O amparo do meu equilíbrio quebrou-se (irreparavelmente). Debaixo dos meus pés cruzam-se linhas desérticas… a minha boca está seca… o sangue, que circula nas minhas veias, caminha em episódios tristes. Os meus sonhos estão encarcerados. (Continuarão eles assim?). Os verdes da minha paleta esvaíram-se. O dia, hoje, está com sensibilidade da noite… Tomara ter a coragem de Perseu...
Realmente: o menos que se pode pedir a uma Pintura de Imaginação, é que nos apareça individuada (não é dizer: ausente de conceito) e, neste sentido, os assuntos da Arte são os da condição surrealista. Mário de Cesariny, em "As Mãos na Água a Cabeça no Mar"
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