segunda-feira, outubro 12, 2009

IN COSTRUZIONE

( 120cm x 100cm )
Começamos por fazer uns traços, talvez uns simples riscos, que vão ganhando forma.
Uma manta em tom de azul claro ia-nos envolvendo, enquanto nos acomodávamos nas nuvens como almofadas macias se tratasse.
Toda esta composição era alimentada por palavras invisíveis, mas intuídas...
Por detrás da janela, sou como um pequeno cesto com furos, esvaziado de perfume, já que a distância me impede de tocar-te.
E sobre o tabuleiro joga-se o cavalete. Como um vulcão salto de quadrado em quadrado tentando encontrar o meu traço. Esporadicamente, por cada posição alcançada, fico deslumbrado. E continuo a avançar, sobrevoando as fendas que, como armadilhas, me tentam deter.
Porém, eu persisto no meu objectivo…quero penetrar no teu campo… quero sentir o aroma da maçã!!!

4 comentários:

Bia disse...

Extraordinária, a luz que orienta o caminho de "quadrados" e que sobre a Maçã incide, colocando-a para lá do perigo, para lá das armadilhas, lançadas nas fendas do caminho...
O cavalete firme é, deve ser, motivo de orgulho de mais um trabalho que é realmente de Mestre.
Obrigada por ser possível entrar neste "Mundo" das pinturas e das palavras...

paula disse...

são as palavras que guiam o pincel, ou pelas pinceladas vão nascendo os textos?

ams disse...

A vida é um tabuleiro de xadrez. Cada um dos nossos actos é uma jogada. O cavalo representa a Ousadia. Os seus movimentos em forma de L significam que nem sempre avançamos em linha recta, porque se o fazemos corremos o risco de cair num qualquer buraco. O xadrez é isso: a arte do ir além, do inesperado. A impossibilidade de conhecer o melhor lance faz do xadrez uma arte, um meio de expressão individual. Um pensamento gera uma ideia, que gera um sentimento, que gera uma acção, que gera todas as outras possibilidades de criação... É o fruto do pensamento.
Há uma letra de uma musica brasileira que diz isto:

Nesse tabuleiro o rei não manda nada
Tem medo da dama e de casa quase não sai
Nesse tabuleiro o rei não manda nada
Até no pulo do cavalo ele cai.
Estou falando do jogo de xadrez
Joguei uma partida, demorei um mês!
Antes de cada lance a gente pensa pra valer, eu quero ver
Eu vou dar um xeque-mate em você.


E para terminar deixo-te um poema do Álvaro de Campos:

Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.


Bj

paula disse...

Arnaldo, bom fim-de-semana