
O meu barco de sonhos, carcomido pelas tempestades que se abateram ao longo dos anos, levou-me de volta às origens. Das suas fendas vejo a mão amarela do tempo que, misturada com os cabelos azuis de um céu único, dá mote à minha bandeira.
Viajo no meu interior, numa paisagem que me é familiar. Calcorreio a rua axadrezada que me transporta do passado ao presente. Tudo permanece imutável. A humidade do tempo agarra-se ao coração, que dá corpo a estas pedras.
A luz da maçã acompanha o itinerário. Sinto o sangue a bombear as minhas veias, que se enchem de vida. Que fogo é este que devora a beleza?