(80cm x 60cm)“Quem és tu?”, pergunto.
“Ninguém”, murmuras.
Tudo começa com uma tela em branco... Vai-se dando cor, por vezes ao fundo, por vezes apenas alguns traços. Depois, bem depois... Um dia eu conto, afinal isto é só o primeiro traço...
(80cm x 60cm)A ocasião assim o exigia. Mirando de alto a baixo, o espelho reflete uma paleta engalanada. Perscruta-se minuciosamente: os pigmentos estão secos, nó windsor na gravata... Um nervoso miudinho percorre-a. Aguarda uma chamada que abrirá o portão das jornadas a percorrer. Sabe que é um passo para o desconhecido. Ignora para onde a leva – talvez do nada para lugar algum. A luz azul que envolve o seu corpo é um enigma que sufoca. Olha para o telefone que continua mudo. Sente o sonho no leve esvoaçar das maçãs. Os pincéis germinam em solo fértil. Estremece... o telefone toca três vezes. Está na hora!!!
Ouço um rasgo no céu que ecoa no meu pensamento. "Quem está aí?", indago. Uma força empurra-me para fora de mim. De quem é este corpo que tenta libertar-se do caixilho onde o tentaram emoldurar? Sou eu? Belisco-me, sinto-me.
Avisto as linhas do xadrez que me indicam o caminho. O meu braço, longo e distendido, uma extensão de mim, tenta em esforço alcançar a maçã. Eu sei que ela será minha. Ela também o sabe. “Deixa-me surrealizar o sonho”, peço-lhe. “Surrealiza-me”, responde-me.

(80 cm x 60 cm)
"A Maçã entre o Homem e o Cávado"
25 de Novembro - 13 de Dezembro 2010
Amares
(80cm x 60cm)
(70 cm x 50 cm)
(80cm x 60cm)
(120 cm x 100 cm)Ao Ritmo da Maçã
Exposição de Pintura de Arnaldo Macedo
Conservatório de Música de Felgueiras
1 de Junho 10 de Julho de 2010
(120 cm x 100 cm)
(50cm x 40cm)
(50cm x 40cm)
(50cm x 40cm)
( 120cm x 100cm )
(91 cm x 47 cm)
(91 cm x 47 cm)
( 50cm x 40cm )
Há algo mais no universo para além da carícia de um lençol azul... No tremor da seda, o abraço de umas mãos envolvem uma maçã recheada de desejo, na ânsia de ser lambida pela paixão... E, etapa a etapa, as correntes do tempo abrem as jaulas e, como uma ejaculação, solta-se o inesperado... Reflexos altamente carregados de sensualidade voam como peixes de olhos de pássaro.É domingo. A tinta está a esgotar-se. Sem se apagar, uma lanterna em chama na minha caixa de cores, ilumina-me. Solto um grito na imensidão do pensamento... Louvo o infinito, o meu bom sonho, a minha almofada macia…
E eis que surge na tela um leito libidinosamente perfumado pela dádiva de uma maçã.