quarta-feira, outubro 06, 2010

Janela com Vista sobre a Maçã

(80cm x 60cm)

Espreito pela janela secreta da minha casa de sonhos.
Uma luz alaranjada beija-me os olhos, convidando-me para o despertar.
O relógio invisível está parado. As árvores estão imóveis.
As folhas apanharam o bilhete do Outono e emigraram para outras paragens.
Tu és uma maçã; eu sou uma maçã.
Estamos suspensos por molas, pairando sobre uma taciturna melancolia.
Ainda que troquemos pensamentos e sentimentos, não nos conseguimos soltar da corda que nos prende.
Acredito que podemos ser um peão, que podemos mover-nos neste jogo...

segunda-feira, setembro 27, 2010

Oração II

(70 cm x 50 cm)

A Firma Oração Origami, Lda., não registada, de capital surreal, tem o prazer de informar que abriu as portas do calendário num dia escuro e desértico. Mais informa que, no acto solene da sua inauguração, esteve presente o Exmo. Sr. Pastor Patapudo, contando ainda com a presença de muitas almas desesperadas.

Oremos!

Do oriente surge uma mão que aperta um fio de contas… Curiosos, dois peixes origámicos perscrutam o doce aroma que exala. Das profundezas do tabuleiro rasgam-se as vestes terrenas na avidez de saboreá-la. Ah, vil pensamento! Ah, cobiça desmedida! Ah, inveja despudorada! Pai, traz até mim esta maçã!

Oremos!

sexta-feira, setembro 17, 2010

A Boa Vontade

(80cm x 60cm)

Enquanto o azul do céu esfrega os seus cascos no corpo das árvores, a maçã é trespassada pelo pincel, que tal como a seta de um Cupido, penetrou bem no fundo da sua essência.
Do seu interior jorra um fluído deleitoso que muitos cobiçam.
Naquele instante, eu acreditei que a Boa Vontade, com as suas mãos enormes, pudesse aparar o suco. Porém, este esquiva-se a deixar-se agarrar, escapando por entre os dedos.
Tomba desamparado no deserto árido de um tabuleiro de xadrez que, como um vampiro ávido de sangue, se alimenta das suas utopias.

Nota: Inspirado no texto de Mário Cesariny, "Vida e Milagres de Pápárikáss Bastardo do Imperador", in "Manual de Prestidigitação"

sexta-feira, setembro 10, 2010

À Espera do Sucesso

(80cm x 60cm)

Vivo num mundo repleto de maçãs que me cercam, perseguem, guiam, orientam e apontam o caminho a seguir. No meio de tantas há uma que eu ambiciono. Como um boneco articulado, encetei uma caminhada obsessiva no seu encalço que me conduz por trajectos que me foram traçados.
Atravessei a aridez do deserto que me extenuou, enfraqueceu, estropiou, sugou as minhas forças, na ânsia de alcançar a mão que me acenava com o mapa da Maçã.
Então, entrego-me a uma letargia e, despojado de tudo, rendo-me à Espera do Sucesso.

Nota: "À Espera do Sucesso" foi inspirado na obra do Henrique Pousão, "Esperando o Sucesso" (1882)

quinta-feira, setembro 02, 2010

"Ab Alma Mater Ad Delirium Malum"

segunda-feira, julho 19, 2010

Cartografia de um Sonho

(120 cm x 100 cm)

O meu barco de sonhos, carcomido pelas tempestades que se abateram ao longo dos anos, levou-me de volta às origens. Das suas fendas vejo a mão amarela do tempo que, misturada com os cabelos azuis de um céu único, dá mote à minha bandeira.
Viajo no meu interior, numa paisagem que me é familiar. Calcorreio a rua axadrezada que me transporta do passado ao presente. Tudo permanece imutável. A humidade do tempo agarra-se ao coração, que dá corpo a estas pedras.
A luz da maçã acompanha o itinerário. Sinto o sangue a bombear as minhas veias, que se enchem de vida. Que fogo é este que devora a beleza?

quinta-feira, julho 15, 2010

Ao Ritmo da Maçã

Ao Ritmo da Maçã

Exposição de Pintura de Arnaldo Macedo

Conservatório de Música de Felgueiras

1 de Junho 10 de Julho de 2010

sábado, julho 03, 2010

Ad Domum

(120 cm x 100 cm)

Da minha paleta, que outrora foi mais límpida, vaza um lodo de cores.
Deixando um rasto de poeira, lobos com dentes de ferro, espiam o instante para devorar o que ainda resta. Solta-se um trilho de sangue encarnado que envolve a maçã que grita de dor, suplicando ajuda, enquanto faz cálculos geométricos precipitando uma queda adormecida.
Indiferente à agonia, o amarelo da minha bandeira permanece erigido no azul do céu. E, na quietude do tabuleiro de xadrez, a rainha espera o momento para ser de novo lançada no jogo enquanto o pincel corteja a paleta numa dança a três tempos.

sábado, maio 29, 2010

Xeque-mate

(50cm x 40cm)


A linha do horizonte dita o fim do asfalto do xadrez.
Sou uma peça do tabuleiro.
Tentei fugir à jogada da maçã, ataquei, recuei, mas acabei sempre por me deparar com ela. Em cada momento foi, lentamente, degustada. Jogo estranho este… deu-me a ilusão de conhecer as regras do jogo, mas sempre foi a maçã quem decidiu o meu caminho. Fez xeque-mate ao jogo da vida.

terça-feira, abril 20, 2010

A espera da Crisálida

(120 cm x 100 cm)

O som seco do metrónomo do relógio aumenta o ritmo do compasso do tempo. Um formigueiro percorre-me o esqueleto. O sangue que corre nas veias abrasa-me. Sente-se uma refrigeração do céu crepuscular. O tempo cavalga de nuvem em nuvem… a noite está a chegar.
Um teatro de sombras percorre o peão do xadrez da vida. Ao cimo, o portão da metamorfose edifica-se. Da caixa do correio, à espera do meu bilhete de ida, sobrevoam os peixes que me lançam a chave.
Abalei as profecias dos que, sibilamente, projectaram a voz. Estilhacei a redoma que envolvia a maçã. Destruí as muralhas do desejo. E, então, fez-se luz: a chave que recebi era o sonho que me aguarda e a maçã, o adubo certo para germinar a minha partida.

domingo, março 28, 2010

Requiem ao silêncio

(50cm x 40cm)

O sol ébrio deita-se num profundo manto azul escuro. É então, num silêncio esmagador, que abrindo as cortinas ao meu pensamento, escrevo.
A pena da vida, num vai e vem de desejos e fantasias, sacia-se e devora o corpo de um tinteiro, que não é mais que uma maçã.
Cerro as pálpebras. A adrenalina faz-me vibrar os músculos. A carne sensibiliza-se; ganha alimento, sinto um fogo a germinar. Deitada e despudorada, como uma amante, está a folha de pergaminho, rasgada pelo tempo. Uma gota de suor resinosa flui sem arreios numa construção geométrica do orgasmo...
Apuro os meus sentidos. Lá fora o silêncio fortifica-se...

sexta-feira, março 12, 2010

Semana da Poesia - Vizela

(90cm x 70cm)

Ana de Sá
(poetisa vizelense, 1823-1899)

(90cm x 70cm)


Bráulio Caldas
(poeta vizelense, 1861 - 1905)

Comemorações do Dia Mundial da Poesia, de 15 a 21 de Março de 2010, em Vizela, dedicado a Bráulio Caldas e Ana de Sá.


quarta-feira, março 03, 2010

Cicio do Outono

(50 cm x 60 cm)

O Outono cai como uma cascata de água. Do céu pendem uns cortinados em tons escurecidos. O sol espreita timidamente através dos cabelos longos do tempo, enquanto que, do corpo de uma árvore, se solta o sussurro da solidão.
Contudo, o comboio das insónias espera pelos incrédulos amantes, que buscam o refúgio do deitar de uma maçã.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

O Tango do Marionetista

(50cm x 40cm)

Sinto-me um objecto animado, manipulado por correntes invisíveis de um marionetista, oculto por uma tela. Sou comandado à distância por alguém que se diz dono de mim e das minhas horas.
E se ele se esquecesse de mim e me oferecesse mais um pouco de vida? Ah!, como gostaria de descobrir a entrada desse marionetista, para ter uma conversa com ele.
Libertaria todo o meu fogo exterminador, soltaria labaredas flamejantes da minha língua, recriminaria a sua dança exótica com a maçã.
Quem disse que a noite não pode namorar o dia?

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Sonho de Uma Maçã Surreal



SONHO DE UMA MAÇÃ SURREAL
Fevereiro e Março, 2010
Foyer da Casa das Artes - V. N. Famalicão


No mutismo da noite, aguardo um sonho inquieto, sísmico, impregnado de avidez das paixões. Entrego-me à imagem...Tudo começa com uma tela em branco. A paleta vomita lama de tinta; o pincel está embriagado. Vai-se dando cor por vezes ao fundo, outras vezes alguns traços apenas. Depois, bem… depois, acontece uma história surrealista: são palavras que se envolvem com as cores na geometria do orgasmo de uma maçã…
Mas, afinal, o que é real ou surreal?

sábado, janeiro 23, 2010

ARGONAUTA DO DESEJO

( 120cm x 100cm )

Numerando o tempo, caminho na companhia dos meus paradoxais momentos.
Atrai-me o som de um tilintar de copos que se despedaçam enquanto desvio o meu olhar para umas ondas do mar, que cortam o vento e se beijam.
Da varanda vislumbro o farol que mira o Instante Perfeito, em suspensão, indicando-lhe a passagem. Ao longe, as nuvens dos sonhos vão passando e largando as suas penas que ao esvoaçar vão desenhando e escrevendo os sonhos que povoam a minha existência e que ditam o meu diário.
Não há ondas iguais, não há nuvens iguais, não há maçãs iguais… porém, eu continuo a minha caminhada, enchendo as folhas do meu livro. Sigo a luz do farol.

sábado, janeiro 09, 2010

SONHO DESNUDADO

(91 cm x 47 cm)
Assim que a noite sente o cheiro das estrelas, uma luz de luar procura o seu tesouro no pensamento, confidenciando o seu sonho. A cortina da noite cede à tentação da corrente de um relógio que teima em não parar, deixando a descoberto a frágil nudez do devaneio.
No horizonte, flutuando mansamente numa galáxia de águas calmas, vislumbra-se uma nau que se aproxima. O mastro de dois pincéis apontam a Zénite, enquanto os ventos alísios empurram o suave perfume da Maçã.
Então, ao som desse aroma, despe-se das suas utopias impregnadas da cor do desejo: o seu sonho está desnudado.

domingo, dezembro 06, 2009

[E]vidência

(91 cm x 47 cm)

Olho para a maçã como ela, em tom de desafio, olha para mim. Há um envolvimento mútuo, apenas perturbado pela ondulação de um véu que, por vezes, teima em ocultar o fruto. Sinto-me observado por um olhar que me asfixia... As muletas sustentam a visão falsamente sibilina dos que condenam, criticam, apoiam, animam…
Pressinto uma liberdade… intuo uma leveza que transporta o meu ser… sou como a gaivota que luta quando o vento joga com o mar. Esperei pelo momento em que o manto se abriu. Alcancei a maçã que embora aqui tão perto, parecia tão longe. Sinto a brisa de ar fresco que mantém o véu a flutuar. O relógio está distraído. Aproveito o momento: enquanto a cortina está aberta, quero saborear a maçã.

terça-feira, novembro 10, 2009

O Ovo da Maçã 21:11

( 50cm x 40cm )

Momentos houve em que cheguei a sentir os dedos fortes do ar a apertar a minha ventilação. Sentia-me inerte. Hirto. Contrariando o destino, os alicerces das minhas veias conseguiram suportar esse estrangular.
Pouco a pouco, muito lentamente, foram-se soltando os dedos que me sufocavam. Abri a porta ao momento. Senti o calor que me invadia de novo e fazia o meu sangue ranger e correr nas minhas
veias.
Acordei. Olhei para o calendário. Eram 21:11. Com o corpo entorpecido, percorria-me uma sensação extasiada de ter voltado a sair do ventre da mulher que me pariu.

quinta-feira, outubro 29, 2009

Orgasmo de uma jovem maçã virgem

( 90cm x 60cm )

Como marés rígidas e desavergonhadas,
Na cadência compassada da ondulação,
Dois corpos entrelaçados conspiram,
Na desordem de uns lençóis.
Atraída pelo calor emanado,
A jovem maçã virgem estremece.
Sente a lambidela de um pincel
Arrepia-se
Entrega-se
Dá-se ao inesperado reflexo
Altamente carregado de sensualidade.
Sente cravar na pele a boca
Sente no seu interior o fogo.
Vibra.
A um ritmo alucinante
As sensações vão sucedendo
Aumentando…
Aumentando…
E quando já nada parecia abrandar
Palpita uma explosão
Jorra um leito de sémen
Extenuados, os dois corpos deixam de conspirar.
Flutuam, agora, na mansidão pudica de um mar.

segunda-feira, outubro 12, 2009

IN COSTRUZIONE

( 120cm x 100cm )
Começamos por fazer uns traços, talvez uns simples riscos, que vão ganhando forma.
Uma manta em tom de azul claro ia-nos envolvendo, enquanto nos acomodávamos nas nuvens como almofadas macias se tratasse.
Toda esta composição era alimentada por palavras invisíveis, mas intuídas...
Por detrás da janela, sou como um pequeno cesto com furos, esvaziado de perfume, já que a distância me impede de tocar-te.
E sobre o tabuleiro joga-se o cavalete. Como um vulcão salto de quadrado em quadrado tentando encontrar o meu traço. Esporadicamente, por cada posição alcançada, fico deslumbrado. E continuo a avançar, sobrevoando as fendas que, como armadilhas, me tentam deter.
Porém, eu persisto no meu objectivo…quero penetrar no teu campo… quero sentir o aroma da maçã!!!

terça-feira, setembro 22, 2009

DÁDIVA LIBIDINOSA

( 120cm x 100cm )


Há algo mais no universo para além da carícia de um lençol azul... No tremor da seda, o abraço de umas mãos envolvem uma maçã recheada de desejo, na ânsia de ser lambida pela paixão... E, etapa a etapa, as correntes do tempo abrem as jaulas e, como uma ejaculação, solta-se o inesperado... Reflexos altamente carregados de sensualidade voam como peixes de olhos de pássaro.É domingo. A tinta está a esgotar-se. Sem se apagar, uma lanterna em chama na minha caixa de cores, ilumina-me. Solto um grito na imensidão do pensamento... Louvo o infinito, o meu bom sonho, a minha almofada macia…

E eis que surge na tela um leito libidinosamente perfumado pela dádiva de uma maçã.

segunda-feira, agosto 10, 2009

LUDUS SCAENICI

(120cm x 100cm)

Largando um rasto branco, os dias passam por mim a toda velocidade. A cada dia que cessa, o tempo endurece o seu porte atlético, e eu permaneço mais tempo estático na minha insónia. Bebo a agonia do cansaço. O tabuleiro da vida flutua. Os pássaros incolores cantam a dor e gritam palavras de socorro; os submarinos, que passam por baixo do assento, navegam em terra; os aviões não conseguem voar… A energia está a esgotar-se. Os meus cabelos despenteados estão brancos. O que se passa com as minhas veias? Sofro de uma doença doente…As cortinas estão prestes a fechar. Sou um toxicodependente! Estou viciado em sniffar a vida. As raízes continuam a crescer e a prender-me a este palco. Os peixes observam-me no céu. A maçã está mesmo no termo, mas ainda podem chover balões de imaginação. E eu vou ouvindo as palavras dos portões…

"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios... Por isso, cante, ria, dance, chore e viva intensamente cada momento de sua vida, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos..." Charlie Chaplin

quinta-feira, junho 18, 2009

PRELÚDIO DE UMA PALETA

( 80cm x 60cm )
Passo a vida a pintar os meus sonhos.
Da paleta escorregam uma mescla e mistura incomuns de cores irreais.
O pincel escuta-me e conduz as minhas mãos... Entregam-se ao som e deixam-se levar...
Calados, perplexos, como que hipnotizados, os meus olhos observam a dança... Será amor, ódio, raiva, alegria, tristeza, medo? Serão homens, mulheres, crianças, astros, animais, cidades, natureza, vento, mar, sonhos?
O tabuleiro da existência persegue-me… Pergunto-me: perseguimos ou somos perseguidos? Estou preso numa overdose do xadrez da vida enquanto as minhas veias saboreiam avidamente o sangue da maçã.
Só sei que sinto nos meus dedos a relação da paleta com o pincel e que o aroma das tintas adormece a minha essência.

sexta-feira, maio 22, 2009

PARASSONIA DO SONHO

( 120cm x 100cm )

No mutismo da noite, aguardo um sonho inquieto, sísmico, impregnado de avidez das paixões. Entrego-me à imagem... A paleta vomita lama de tinta; o pincel está embriagado. Para lá dos devaneios soltam-se os pasmos do cavalo do xadrez da vida, contemplando o meu sonho em estado de sonambulismo. Enquanto isso, o fio da vida suporta a maçã, exausta com a geometria do orgasmo...

sexta-feira, maio 15, 2009

ANELÍDEOS ACÉFALOS

( 80cm x 60cm )

Continuo irracional, ébrio, em cada criação, com as bandeiras da minha loucura bem alto, enquanto os parasitas se estendem pelo xadrez da vida, adormecendo à sombra da maçã.
Censuram os ingénuos rebentos da terra, arrastam carências de valores que alimentam o espírito, camuflam-se em falsas aparências, como embalagens com rótulos publicitários inúteis... Os parasitas hipotecam o bilhete de estadia e perdem-se num longo tempo sem retorno...
Mas continuam a acreditar que estão vivos. Acreditam tanto que vivem uma vida que não existe...

quinta-feira, abril 23, 2009

NÁUFRAGO DA UTOPIA

( 120cm x 80cm )

Os anos vão cessando. O meu barco de sonhos vai envelhecendo e enferrujando; começa a ser ingerido pelo tempo... O Sol vai calcinando as letras do meu pergaminho familiar ficando invisível...
A um recanto depara-se o peão do xadrez da vida e o enigma de um diário que, em harmonia, bebem toda a beleza de uma maçã...
O meu barco da utopia naufragou. Suspendo a respiração. O tempo estacou.
Ainda que me torne oculto na minha solidão, não consigo encontrar-me. A irracionalidade persegue-me numa precisão de loucura...
E só, com o corpo sofrido, as veias destemperadas e os olhos de Sal, a minha visão não alcança nada, apenas as minhas pegadas na areia… talvez só o Mar nos seus circuitos das ondas...
Para finalizar exponho as palavras do Grande Al Berto...
Que horas serão dentro do meu corpo?
Que mineral vermelho jorraria se golpeasse uma veia... não sei... não sei...
O que vejo já não se pode cantar...

segunda-feira, março 09, 2009

FRAGMENTOS

( 120cm x 90cm )

Algures, num tempo... Num espaço imaginário, num pedaço do nada, num tempo perdido... Espero-te no vai e vem das vidas. Na tela solta-me a alma, uma ponte desfaz-se no infinito, num mar suspenso no céu, com os seus peixes que nadam em regozijo e liberdade. Meu Barco dos sonhos encontra se num manto de areia, estando a ser puxado pelo cavalo do xadrez da vida. Enquanto eu corro para casa de banho, onde tudo o que é vómito abandona a minha mente... Afinal o que sonhamos é o que verdadeiramente nós somos... Eu vou estar contigo algures, num tempo...

quinta-feira, janeiro 29, 2009

CONTEMPORANEAMENTE EM ESTADO ALIENADO

( 100cm x 80cm )
Eu não sou nada! Sou aquele que oscila de um canto para outro que não está lá, nem cá, dependendo do que sou, posso deslocar me para cá e para lá...
Viajo de carro dentro de mim deixando me embalar pelo sentimento e entro numa outra dimensão, o tempo deixou de ter balança de precisão não sei contar as horas, os minutos, os segundos.
Eu apenas sou um simples transportador de um corpo com seres vivos no seu interior, que sentenciam se querem que eu continue a ser o suporte.....
Eu perdi o meu próprio espelho, agora não sei se sou esta maçã suspensa que não encontra poiso, se sou esta cadeira solitária...
Apenas sei que sou observado por detrás das nuvens... Suja me a minha alma com um tubo de tinta para eu saber que tenho alma...

quarta-feira, dezembro 31, 2008

AGÊNCIA DE SUICÍDIO

(80cm X 60cm )

Para terminar o Ano, e cortar um pouco este espírito Natalício deixo ficar aqui uma sugestão, já que as previsões dizem que a crise vai aumentar...

AGÊNCIA DE SUICÍDIO
Sociedade reconhecida de utilidade pública
Capital: 5.000 de Euros
Sede social: Rua Da Saudade N.69 Em: 10 Km Dos Colhões de Portugal

Graças a dispositivos modernos, a AGÊNCIA DE SUICIDIO tem o prazer de anunciar aos seus clientes que se encontra habilitada a garantir-lhes uma MORTE CERTA e IMEDIATA, o que não deixará de seduzir quem se afastou do suicídio com medo de "falhar". Foi pensando na eliminação dos desesperados, elemento de contaminação temível numa sociedade, que o SR. PRIMEIRO-MINISTRO
dignou-se honrar o nosso Estabelecimento com a sua presidência honorífica.
Por outro lado, a A.S. proporciona, finalmente, um modo minimamente correcto de abandonar a vida, pois a morte é a única fraqueza que não permite Falhar......

TARIFA:

Veneno......................................... 100 Euros
Morte perfumada - (taxa de luxo incluída) ..... 300 Euros
Enforcamento - (Suicídio para pobres) ........... 25 Euros
Morte á facada – (Com limpeza do sangue)....150 Euros

Nota: — Tendo o nosso estabelecimento garantia de Bom serviço, recomenda se que seja pago antes do acto. Pois não é provado que o falecido pague a conta depois de falecer... Esta empresa tem em projecto para futuro, (Morte de Revolver e Electrocussão)... Bom Inicio de Ano...

sábado, outubro 04, 2008

DEIXA-ME BEBER TEU FRUTO

( 120cm x 90cm )

Quero beber com lábios de prazer, inalar o teu perfume, sentir a luxúria... Provar-te com a ponta da língua, arrepiar-me com o teu estremecer... Prende a minha mão incendiada e rega-me os olhos com desejos, deixa-me nos beijos o sabor doce da Maçã, deixa-me ser o teu pensamento a divagar por entre os sonhos, as ilusões, as descrenças e as esperanças da tua mente. Deixa-me ser o toque das tuas mãos, deixa-me ser o mar que te acalma, deixa-me ser a areia que te cobre os pés...Pergunta à maçã por mim. Pergunta assim como eu perguntei um dia, como era teu cheiro, como era o teu estremecer. Pergunta-lhe como eu lhe perguntei um dia como me perder em ti... Anda Navegar no meu barco e beber o fruto...

quinta-feira, agosto 28, 2008

PREOCUPAÇÃO EM EXPLORAR O INCONSCIENTE

( 120cm x 90cm )

Desço as profundezas do inconsciente, e o silêncio segreda-me, o existente é a existência em si. Nós somos Deuses, somos um fio de água a entrar por Mar dentro, a continuação de um pedaço de terra em que plantamos as nossas árvores... Eu nas minhas utopias aniquilo as jaulas dos meus olhos e deixo eles voarem, oferecem uma maçã com a mão esquerda, enquanto devoro este jogo da vida, esperando que chegue a hora de tirar a mascara...



Para terminar deixo umas palavras do blog Magia...

... o que conta não são os dedos que conto, mas a estória que cada um dos dedos tem para me contar... - Nem só de anéis se enfeitam os dedos! -..................................................................................

quarta-feira, junho 18, 2008

PARAGEM MIOCÁRDIO

( 90cm x 60cm )

Esta minha terra acorda fustigada pelo chicote invisível do progresso, o coração já não bate teve uma paragem miocárdio, veste-se de preto e branco, segue um trilho de ser pintada de vermelha de sangue… Eu caminho curvado de olhos semicerrados postos no chão, nada mais vêem que a desgraçada desolação das pedras nuas com um passado imponente...



"Só os tolos não são pessimistas." (Mark Twain)

sábado, junho 07, 2008

O MEU DIÁRIO... 18h52...

( 120cm x 90cm )

Crio, na ponta de um pincel, a sensualidade que te adivinho, cubro com as pontas dos dedos a tinta, arrasto as sombras, delineio contornos, suspendo a respiração por um segundo, faço o tempo esperar por mim.
Remexo a minha alma.
Com a suavidade de uma pena, deixo que a tinta deslize sobre uma imagem criada, dando-lhe vida...
Como por magia, vejo teu rosto a soltar se do meu diário, minha muleta protege as minhas utopias neste jogo que se chama vida, onde o relógio manuseia este peão que alturas eu sinto que sou… Mas eu vou continuar a navegar mansamente neste meu Mar de sonhos!!!

segunda-feira, maio 19, 2008

AS MAÇÃS VOADORAS

( 120cm x 90cm )

Eu nasci viciado em voar... Os anos vão passando. Vou envelhecendo. As minhas asas ficam mais queimadas pelo sol. Porém, persisto e insisto no meu voo, ao som da melodia da árvore da música. Não quero voar sozinho. Voa comigo e com as palavras de Al Berto:

A laranja voadora é, ou não é, uma laranja imaginada por um louco?E um louco, saberá o que é uma laranja?E se a laranja cair?E o poema? E o poema com uma laranja a cair?E o poema em forma de laranja?E se eu comer a laranja, estarei a devorar o poema? A ficar louco?(...)E se a laranja se deslocar no espaço - mais depressa que o pensamento, e muito mais devagar que a laranja escrita - criará uma ordem ou um caos?”
In "Prefácio para um livro de poemas"



domingo, abril 20, 2008

SENTINELA DO SONHO


( 120cm x 90cm )


Teu olhar, o meu fiel espelho! Tuas palavras, as cores da minha paleta! Tua ausência, minha grande saudade!!! Sinto-me observado... Reconheci a admiradora... Sabia quem era... Defino o teu rosto transportado pelo vento. Representas as minhas utopias, ainda que me torne invisivel.
No silêncio não me consigo encontrar por invadires a essência do meu ser... Nas montanhas o teu rosto é esculpido como o de uma Deusa, que agita as águas do meu leito e me ergue as bandeiras...
Sou um D. Quixote que imagina o teu rosto em tudo o que me rodeia...

sexta-feira, março 07, 2008

PEDRA QUE CARREGAMOS

( 90cm x 60cm )

Hoje deixo ficar aqui as palavras de uma pessoa muito querida por mim (Beatriz), gostei por isso quero deixar aqui em destaque. (Vejo uma maçã que representa a vida... A vida como ela é na realidade com momentos... Bons... Menos bons... Momentos que nos fazem crescentar a cada dia ... Grão a grão ... O valor de viver! As pedras que tu desenhas-te e tão bem pintas -te...Umas partes mais claras... Serenidade... Bem estar... Outras mais escuras... Que são as que nos fazem pensar... Fazem ficar com um peso... Mas também como cada um é como é , ira gerir de melhor modo esse peso!! Continuo a dizer e a pensar a vida é assim mesmo ... Com muitas pedras no nosso caminho e somos nós que temos o dever de as deixar juntar e formar o cubo de marmore e o segurar, podemos parecer frageis como a simples maçã... Mas no fundo somos os responsaveis pela pedra que carregamos! Vive a vida e sê Feliz!!!) Um beijo para ti Beatriz...

segunda-feira, janeiro 21, 2008

O MAR É TÃO PEQUENO NOS MEUS SONHOS

( 120cm x 90cm )


Deixa passar as palavras que trazem música. Deixa-as repousar mansamente no Mar dos Sonhos. Deixa que elas afaguem os nossos sentidos e que unam os nossos pensamentos. Agora, montemos as asas no mesmo voo... Somos duas fitas entrelaçadas que atam um laço, viajamos no mesmo barco, somos um... no mesmo SONHO. Como é bom olhar o horizonte calmo, tranquilo. Ao longe o barco do sonho vai navegando à bolina do pincel, sob o olhar atento do Adamastor. E eu sonho... Deixem-me sonhar!

domingo, janeiro 06, 2008

ORAÇÃO...


Será o inferno o paraíso......???????

A vida não é Nada, é preciso ser tudo num instante se entregamos ao momento tudo é possivel...

Tenho pena daqueles que julgam o meu Amor, daqueles que não pulsam e que não conseguem suar e sentir o cheiro do pecado.

Tenho pena dos que não ousam pecar, tementes, doentes de espírito e não se conseguem entregar..

Tenho pena dos que vivem a pedirem perdão, a si própios, e passam pela vida sem ter que curar uma ferida, sem ter a carne marcada por uma grande cicatriz, ou sem ter um dia escapado por um triz...

Pobres daqueles que fizeram tudo certinho, pois nunca foram felizes...

Oremos....


sexta-feira, novembro 23, 2007

EU PENSO EM TI !!!!


Eu penso em ti, tu estás em tudo, tu és a grande razão, o horizonte sem nome que constantemente se desenha na minha imaginação...Sou Homem, sou feito de sangue e de carne (mais ossos que carne)...Com duvidas... Como viver quando a minha essência me puxa para sentidos opostos, o que fazer quando não sou um, quando sou mais que um...??? Que a minha loucura seja perdoada.


Para terminar deixo ficar o pensamento de Arthur Schopenhauer

"Um homem espiritualmente rico tem, na solidão, seus próprios pensamentos e fantasias com os quais se ocupa com muito mais satisfação, enquanto o tolo não consegue evitar as variedades oferecidas pela vida em sociedade, como espetáculos, passeios e diversões."

quinta-feira, novembro 01, 2007

CONTEMPLAÇÂO


(90cm x 60cm)

Uma névoa de luz em tons de azul invade-me o quarto e viola as cortinas que se abrem no silêncio que passa a fugir.

Debruado pelo sussurro das palavras observo o azul que enrola o oiro do teu corpo e em silêncio pinto a maçã que enaltece o meu ser.

Não me recrimines! Eu nunca prometi constância nem perfeição.

Tu meditas e deixas-te impregnar pelo mistério da contemplação...O próprio mistério tem a sua força. Bebe toda a beleza e harmonia contida nesta maçã que pinto....

Não vou privar-me em SABOREAR...

terça-feira, outubro 23, 2007

“Leonardo da Vinci- O Génio”


O Porto vai receber a exposição “Leonardo da Vinci- O Génio”. Patente no Pálacio de Cristal até Janeiro. Irá mostrar dezenas de modelos , em tamanho real, a partir de desenhos deste genial artista, tais como o submarino, o protótipo do pára-quedas e o quarto dos espelhos. Serão também mostradas cópias das dez mais famosas pinturas do mestre, nas dimensões originais, bem como de manuscritos e desenhos.

Horário: Segunda a Domingo das 10h às 22 horas

Preços : escolas: 2,5 €
3 aos 10 anos:3 €
11 aos 16 anos: 4,5€
mais de 60 anos: 4,5€
restante público: 6€

Quem for cliente do Millennium BCP tem entrada gratuita, se apresentar BI e cartão de crédito desta entidade. E a um empréstimo 12 milhões de euros com direito a perdão...